Passando de face em face, descobri na tarde de segunda-feira um grupo de metal, sim metal, daqui do Rio Grande do Sul mesmo, esta banda tem como nome “Holiness”, formada na cidade de Erechim. O grande diferencial da Holiness está nas composições, que são iniciadas sempre com belas melodias que, por isso mesmo, se sustentam somente com violão e voz..
O Holiness procura unir em sua música, um vocal mais suave, com um instrumental agressivo, e, em suas letras prefere falar sobre temas do dia a dia e que remetam a questões existenciais e reflexões interiores.
E eu tive o grande prazer de entrevistar Stefanie Schirmbeck,(28), natural de Getulio Vargas vocalista da banda que é apontada como uma das bandas mais aguardadas do ano.
ME. Bom, para começar, eu queria saber, de onde saiu a ideia de formar uma banda?
A banda surgiu da necessidade de expor nossas composições, pois tínhamos uma banda cover e não estávamos satisfeitos totalmente.
ME.Em que você se inspira no formato e no estilo do grupo?
As nossas inspirações surgem de várias fontes, desde filmes, livros, bandas que admiramos, mas nada específico, vamos pinçando pequenas coisas, as vezes até inconscientemente.
ME.De onde surge a inspiração para compor?
De coisas do dia a dia, de problemas e superações diários, a vida em si já é uma grande inspiração.
ME.Como é ser a única mulher da banda? Rola algum atrito entre os integrantes homens e você?
Ah, é legal! Os caras me tratam como um deles, não rola nenhum machismo, na verdade eles até me protegem e me poupam das coisas que exigem maior força física, e eu adoro, hahaha.
ME.O meio musical brasileiro está cada vez mais deplorável em suas escolhas de segmentos musicais, o que tu acha destas novas bandas que estão se formando com tanta frequência e tão pouco conteúdo nas composições?
Sinceramente, acho que isso é o reflexo da falta de cultura da juventude, pois se existem tantas bandas, é porque há demanda. É uma triste realidade, cada vez vemos pessoas mais desprovidas de pensamento próprio, e essas bandas são formadoras de opinião. Imagina o resultado disso no futuro....
ME.A tradução do nome da banda para o português é Santidade, qual a origem do nome e qual o significado?
Escolhemos o nome “Holiness”, pensando mesmo no sentido literal da palavra. Para nós a melhor maneira de elevar-se espiritualmente é através da música.
ME.Quais foram as dificuldades que enfrentaram ao começar este projeto? E há algumas ainda a serem superadas?
Enfrentamos, continuamos enfrentando e ainda enfrentaremos muitas dificuldades. Ter uma banda de metal no Brasil é pra louco, você tem que amar muito o que faz para persistir. No Brasil falta espaço na mídia, nas casas de shows, falta estrutura.....
ME.E como foi conseguir espaço para divulgar o trabalho?
Desde o começo apostamos muito na internet. Fomos criando uma base de fãs e através disso a banda vem ganhando destaque na mídia. Não tem segredo, é trabalho pesado mesmo.
ME.E você como mulher quais as exigências que precisa para liderar uma banda de metal, o que hoje em dia é muito difícil se ver mulheres assumindo postos assim.
Acho que você não pode ter frescura, tem que topar cair na estrada, dormir mal e estar inteira para tocar no dia seguinte, ter espírito de equipe e aceitar os obstáculos que aparecem pela frente, que são muitos.
ME.Pesquisando eu vi que vocês optaram por sair do Rio Grande do Sul, para poder divulgar o trabalho, por que esta escolha?
Primeiro pela questão geográfica. O Sul é longe de tudo, por isso em São Paulo é mais fácil deslocar-se para tocar em outros estados, e também porque estando aqui, as oportunidades são maiores, a mídia é muito mais focada para essa região.
ME.Como é pra vocês serem reconhecidos por muitas pessoas em relação ao trabalho que exercem? Pois sair do interior do RS pra tentar a sorte em São Paulo é uma coisa complicada, não?
Acho que tudo na vida tem seu preço, depende o quão disposto você está a enfrentar o que vem pela frente.
ME.E quando a banda decidiu se mudar para outro estado, vocês sobreviviam apenas dos shows, ou tinham algum trabalho paralelo?
Impossível viver da música no início, pois até conseguirmos espaço para tocar demorou algum tempo. Hoje em dia podemos focar as energias apenas na banda.
ME.E como você vê o campo musical daqui a algum tempo?
Imagino que as bandas serão cada vez mais independentes, a internet está aí para desbancar as grandes gravadoras , o cd deixará de existir e as bandas terão que aprender a conquistar cada vez mais seus fãs de maneira genuína.
E pra quem gostou e quer acompanhar segue os links:
www.twitter.com/bandaholiness

4 comentários:
Excelente matéria dona fumante! gostei!!!! beijos
adorei a entrevista Maria. Parabéns. Tem que convidar a banda para um próximo podcast ;) Fazer uma palinha pra gente.
Maria, goostei :D
Muito bom Maria! ;)
;**
Postar um comentário