Ele era bom... até demais, ele era bom com as palavras, com os gestos, ele era bom de lábia, era bom com presentes; ele era ótimo. Ele não era do tipo meloso, e muito menos romântico e grudento, ele tinha estilo próprio, todo largado. Ele era bom com as palavras, sabendo sempre o que dizer nas horas erradas. E comigo era sempre educado. Seu papo era bom seus assuntos sempre diversificados, ele era engraçado algumas vezes divertido e mais do que tudo lindo. Ele era paciente e muito calmo, E era justamente isso que eu mais odiava.
No começo ele parecia legal e depois ele foi virando um chato, ele não deixou de ser interessante, mas aos meus olhos aquela nossa rotina toda não mais servia. Ele não fazia o tipo príncipe encantado era apenas mais um coadjuvante qualquer que entrou na minha história. Ele era ótimo pra todas menos pra mim, ele foi se tornando bonzinho. Consequentemente ele foi perdendo toda a graça, ele dizia que se encantou por mim e que eu o mudei, que meu jeito todo explosivo e desajeitado tinha o fisgado e isso de todas as coisas era o que mais me irritava, ele foi virando bom, todo certinho, comum.
Ele definitivamente foi me cansando. Pras garotas normais ele era perfeito, mas pra mim ele já não servia. Eu queria emoção e o máximo que tínhamos entre nós era o capitulo final da novela, eu queria brigas, discussões, conflitos e com certeza a adrenalina mas ela só se encontrava em meus sonhos. Eu queria sustos e contradições, mas o máximo que chegávamos a isso era quando ela me enlaçava pelos braços desprevenida atrás da escada. Eu queria surpresas e alguma inovação, mas suas surpresas eram sempre românticas e já premeditadas.
Ele não entendia que eu queria fogo, queria queimar e gelar a alma. Eu não queria alguém seguro se eu quisesse comparava um cão de guarda e tava feita, eu não queria um conto de fadas se quisesse lia um livro e ia dormir entediada. Ele não entendia que eu não queria segurança, que eu preferia muito mais os riscos , pois eram estes que me atavam, Ele não entendia que me fascinava muito mais a confusão e perdição interna do que qualquer certeza que ele tinha da vida.
Ele não compreendia porque me encantavam mais os raros defeitos as inúmeras qualidades dele. E foi por isso que nós não demos certos, ele aparentemente parecia bom, parecia o errado pelo que eu tanto procurava, masno final ele foi ficando certo, e certo demais pra mim, que quando eu vi ele não mais se encaixava.
Camila Marques

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